LUMIAR E SÃO PEDRO DISCUTEM MEIO AMBIENTE

Maurício Siaines (*)
Lumiar e São Pedro da Serra iniciaram na semana passada processo de reuniões para definir e superar problemas relacionados com o meio ambiente nos dois distritos de Nova Friburgo que representam a segunda maior reserva de Mata Atlântica do estado. Os encontros foram promovidos pelos organizadores do programa Agenda 21. Em São Pedro, no colégio estadual, na quinta-feira, dia 8, entre diversos outros representantes da comunidade local,
esteve presente o professor Jorge Miguel Mayer, da Universidade Federal Fluminense, um dos organizadores do livro Teia Serrana, que trata da história de Nova Friburgo. Na ocasião, Mayer fez breve exposição sobre a história da região de São Pedro da Serra. Em Lumiar, na sede da Ação Rural, o mesmo papel coube ao professor Antônio Manoel Spitz, do colégio estadual local, também estudioso da história da região, que lembrou que o grande desmatamento da área começou com as plantações de café, no século 19, não sendo justo atribuir culpa pela destruição ambiental às pequenas lavouras, como a de inhame, que existem até hoje. Entre os diversos problemas e soluções apontados destacou-se a fraca consciência ecológica e o conflito entre órgãos oficiais voltados para o meio ambiente e a população local. Representantes de agricultores, com compreensão e apoio nas duas reuniões, muito se queixaram durante os debates do modo como agem os órgãos governamentais, que têm contribuído para indispor as pessoas de um modo geral com as idéias de preservação ambiental. Em Lumiar, o professor Antônio Manoel afirmou que “os órgãos oficiais têm tratado os agricultores locais como bandidos”, problema que precisa ser resolvido com urgência, de acordo com o consenso dos participantes.
Projeto internacional
O programa Agenda 21 foi gerado no ambiente da Organização das Nações
Unidas, desde a reunião de Estocolmo (Suécia), em 1972, e nasceu na
Conferência do Rio de Janeiro, de 1992, conhecida como Eco-92 ou Rio-92. Na
ocasião, 170 dos 172 países presentes assinaram compromisso de
preservação ambiental representado em extenso programa debatido no
encontro. Somente Estados Unidos e Austrália negaram-se a subscrever o
programa.
A atuação da Agenda 21 acontece sempre a partir da união de três setores da
sociedade: as organizações da sociedade civil, os governos e os empresários.
Em Nova Friburgo, ela se divide em três núcleos, o da bacia do Rio Macaé, o
da bacia do Rio Bengalas e o da bacia do Rio Grande, e se baseia em
pesquisa e análise de estudos de caso do município e tem como propósito,
dentro do espírito formado em 1992, contribuir para a formação de “uma
sociedade local sustentável e ambientalmente justa, pautada na cidadania
popular ativa e na democracia participativa”.
As atividades da Agenda 21 continuam. Na tarde desta quarta-feira, 14, na
Associação Comercial (Avenida Alberto Braune 111, sobrado), aconteceu a
reunião de coordenação do Fórum 21.
(*) Jornalista, mestre em Sociologia, morador de Lumiar
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