COMPERJ DEVE ATRAIR 724 INDÚSTRIAS PARA O ESTADO DO RIO

Este é número 724 e a estimativa de indústrias do setor de plástico que deverão se instalar no estado do rio, através do Comperj, a apenas 80 kms de Nova Friburgo, pela estrada secundária que chega a Sambaetiba, na Rj 116. Estas indústrias vão gerar cerca de 271 mil empregos e deste número 168 mil só para o estado do Rio. Outro ponto importante é a adição anual de R$ 13 bilhões para o país  e deste valor cerca  R$ 10 bilhões para o estado do rio. Estes índices são do estudo " Comperj - Potencial de Desenvolvimento Produtivo", divulgado pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (FIRJAN), nestes últimos dias.

O documento, encomendado à Fundação Getulio Vargas, analisa as variáveis de infra-estrutura, recursos físicos e humanos, importância para cada município, impacto econômico e geração de empregos. E faz recomendações para que o estado aproveite ao máximo os benefícios que serão gerados pelo empreendimento.

O Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro está sendo iniciado com a terraplanagem desde o dia 31 de março, em uma área de 45 milhões de metros quadrados em Itaboraí, com o maior investimento da Petrobras, em uma só planta, o equivalente a US$ 8,4 bilhões. O inicio da operação está previsto para 2012, quando a produção nacional de produtos petroquímicos deverá aumentar graças ao processamento de 150 mil barris por dia de óleo pesado.

O estudo prevê que a cadeia do plástico na região seja completada por até 724 indústrias do setor, 90% de micro e pequenas, atraídas pela disponibilidade de matéria-prima. Pelas futuras oportunidades de grandes negócios, apenas estas empresas seriam responsáveis por investimentos de R$ 1,8 bilhão e faturamento anual de R$ 4,8 bilhões. Por uma visão mais conservadora, seriam pelo menos 362 novas indústrias, com investimentos de R$ 900 milhões e faturamento anual próximo a R$ 2,4 bilhões.

Segundo as estimativas, 46% das novas indústrias do setor deverão se instalar nos sete municípios que foram demarcados pelo estudo como região de influência direta com as cidades de Itaboraí, Cachoeiras Macacú, Guapimirim, Magé, Rio Bonito, São Gonçalo e Tanguá. Está previsto também o grande potencial de concentração nos municípios de Duque de Caxias, Nova Iguaçu e Queimados, considerado parte da região de influência ampliada. Outros municípios de influência direta são as cidades de Nova Friburgo, Guapimirim, Niterói, Rio de Janeiro, Teresópolis, Silva Jardim e Saquarema que serão impactadas de alguma forma.

O pico de geração de empregos na fase de implantação do Comperj, está previsto para o ano de 2011, quando o complexo deverá estar em fase de finalização. Serão gerados 173 mil empregos no Brasil, sendo 75 mil no estado do rio de janeiro. Em um ano típico de operação plena, como 2015 a previsão cresce, pelo olhar otimista seriam 271 mil empregos no país, sendo 168 mil no estado do rio.

Também na fase de operação, a geração anual de valor adicionado para a economia nacional pode chegar a R$ 13 bilhões, com 84% desse valor gerado no estado do rio. A concretização dessas estimativas poderá fazer com que o Comperj signifique, entre hoje e 2015, um crescimento de 39% do PIB da região de influência direta. Mesmo municípios que em tese receberão menos investimentos, passarão por um salto econômico.

O estudo considerou os dois cenários previstos pela Petrobras  ao elaborar o Estudo de Impacto Ambiental. No cenário otimista, se as empresas do estado do rio consumirem 600 mil toneladas anuais de resina termoplástica, corresponderá a 27% da produção do Comperj. No cenário conservador, seriam 300 mil toneladas anuais, ou 13% da produção.

A divisão das regiões de influência direta e ampliada considerou a distância, infra estrutura, meio ambiente e recursos humanos disponíveis (Baixada Fluminense, região serrana e Baixada Litorânea).

Para essas regiões e também para o estado, o documento divulgado pela FIRJAN  faz recomendações para que aproveitem melhor os grandes investimentos que passarão a receber direta e indiretamente.

Sobre a preocupação das prefeituras com o aumento da demanda por serviços públicos provocados pela migração, o estudo alerta que o aumento  de renda na região de influência do Comperj, pode dar origem a uma "exportação de desempregados". Se 20% dos trabalhadores sem atividades na área de influência ampliada, migrarem para a região direta em busca de oportunidades não-concretizadas, a taxa de desemprego na região direta dobraria, com impactos graves sobre a qualidade devida.

Em cenário conservador, segundo o estudo, a qualificação de trabalhadores da região de influência direta seria suficiente, em termos absolutos, para atender a demanda por mão-de-obra no momento de pico de geração de empregos durante as obras do Comperj, por volta de 2011. A taxa de desemprego na região direta, hoje, é de 7%. Num cenário otimista,  e já com capacidade produtiva em utilização, aí sim a migração se tornaria necessária.

Por outro lado está em andamento a Agenda21-Comperj que está estudando junto as cidades de impacto direto, todas as demandas para serem analisadas pela Petrobras, Comperj, Governo Federal, Governo Estadual e Prefeituras. Foi dividido em quatro setores: Setor Público, Setor Empresarial, Setor de Ongs e Setor Comunidade. Esperamos que Nova Friburgo continue a reunir  todos os setores para uma ampla discussão de demandas que realmente tenham aspectos coletivos.

PAULO ROBERTO DE SOUZA 08 JUNHO 2008

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